Transplante de medula: tire todas as suas dúvidas sobre o tema
02/02/2023
O transplante de medula é um tratamento fundamental para oncologia e doenças relacionadas ao sangue. O procedimento consiste, basicamente, em uma transfusão. Porém, é preciso que haja doadores compatíveis para realização.
Continue a leitura e entenda como funciona o transplante de medula, para quem é indicado, os tipos de procedimento, assim como sobre quem pode ser um doador!
O que é medula e célula-tronco?
Popularmente conhecida como "tutano", a medula óssea é um tecido que se localiza no interior dos nossos ossos. Ela é dividida em dois tipos:
- Medula óssea vermelha: composta de células sanguíneas e precursoras.
- Medula óssea amarela: formada por células adiposas.
A medula é responsável pela produção das células do sangue:
- Glóbulos brancos (leucócitos);
- Glóbulos vermelhos (hemácias);
- Plaquetas.
Essas células são fundamentais para o funcionamento vital do corpo, sendo agentes do sistema defensivo (leucócitos), transportando oxigênio (hemácias) e fazendo parte da coagulação do sangue (plaquetas).
A origem dessas células sanguíneas é a célula-mãe, também denominada de célula-tronco pluripotente. Concentrada, principalmente, na medula óssea.

O que é o transplante de medula óssea?
Certas doenças afetam as células do sangue, como linfomas e leucemias. Para tratá-las, uma das soluções é substituir a medula doente por uma saudável, ou seja, realizar um transplante.
Existe mais de uma maneira de realizar o procedimento. O sangue pode ser da própria pessoa, vir de um doador ou ser retirado do sangue do cordão umbilical. Entenda cada uma delas!
Tipos de transplante de medula
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), existem três tipos de transplante de medula: autogênico, alogênico e singênico.
Confira as características de cada um dos tipos!
Autogênico ou autólogo
No autogênico, a medula vem do próprio paciente. As células-tronco são retiradas antes da realização de quimioterapia, por exemplo, e reinseridas no futuro.
Alogênico
Já o transplante de medula alogênico é o que precisa de um doador. Idealmente de um familiar, como irmão ou irmã, ou de alguém que tenha uma composição genética semelhante.
Singênico
Outro método existente é o singênico. Com ele, utilizam-se células precursoras à medula óssea, como do sangue corrente do doador ou sangue de cordão umbilical, pois é rico em células-tronco pluripotentes.
Qual o tipo de transplante ideal?
O tipo de transplante de medula óssea a ser feito é decidido pelo médico, avaliando caso a caso e considerando diversos fatores como idade, estado de saúde, doença a ser tratada e a disponibilidade de doadores.
A decisão é complexa, pois o procedimento acarreta diferentes riscos à saúde do paciente, gerando efeitos colaterais com menor ou maior gravidade.
Quando se recebe células de outra pessoa, pode haver rejeição do sistema imunológico, por exemplo. Entretanto, tudo depende do caso e, por isso, a avaliação torna-se fundamental.
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Para quem é indicado o transplante de medula?
O transplante de medula óssea é indicado como tratamento a pessoas que enfrentam doenças do sangue. O Inca lista uma série de patologias em que pode haver necessidade, tais como:
- Leucemias;
- Linfomas;
- Anemias graves;
- Hemoglobinopatias;
- Imunodeficiências congênitas ou combinada;
- Mieloma múltiplo;
- Síndrome mielodisplásica em formação ou hipocelular;
- Osteopetrose;
- Mielofibrose primária em fase evolutiva;
- Entre outras.
Como é feito o transplante de medula óssea?
Antes de realizar o procedimento, são feitos testes de compatibilidade entre doadores. Quanto maior a taxa de semelhança, menor a probabilidade de rejeição do material pelo receptor.
Depois, o receptor passa por um tratamento que tem como objetivo atacar as células doentes. A pessoa fica muito frágil neste período, já que a medula também é destruída. Com a baixa do sistema imunológico, os cuidados contra vírus e bactérias são fundamentais.
Então, é nesse momento que se realiza o transplante, que funciona como uma transfusão sanguínea. O paciente recebe as células da nova medula, que entram na corrente sanguínea e se alojam na medula óssea, onde se desenvolvem.
Até que as células-tronco produzam glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para o funcionamento do organismo, o paciente continua vulnerável.
É comum o surgimento de casos de hemorragia, infecções e sintomas de febre, por exemplo. Por isso, após realizar o transplante, a pessoa fica em isolamento no hospital, entre duas e três semanas. Há um cuidado específico na dieta e na higienização do espaço.
Após esse período de internamento, a pessoa pode voltar para casa. Dependendo da evolução, é comum que ela retorne ao hospital para continuar o tratamento, pelo menos durante o dia.

Como é feita a busca pelo doador?
Se nenhum familiar possui semelhança genética compatível com o paciente, a busca pelo doador é feita no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Todos os voluntários registrados no Brasil estão lá, assim como de outros países.
Como ser doador de medula óssea?
Para se cadastrar no Redome, basta ir a um hemocentro da sua cidade com documento de identidade. Não precisa marcar horário. Lá, é feita a coleta de 10 mL do seu sangue para avaliação de compatibilidade com quem precisa receber a medula.
Se for identificada a correspondência, vão entrar em contato para saber se você aceita ser o doador e dar sequência aos próximos passos.
Atenção! É fundamental que seus dados cadastrais estejam atualizados. A sua medula pode salvar a vida de alguém.
Quem pode doar medula óssea?
Os requisitos para ser doador de medula óssea são:
- Ter entre 18 e 55 anos.
- Estar em bom estado geral de saúde.
- Não ter doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue.
- Não apresentar histórico de patologias como câncer e doenças hematológicas ou autoimunes.

Como acontece a doação?
Caso seja identificada e comprovada a compatibilidade com um receptor, a doação de medula óssea pode ser feita por dois métodos. O médico vai indicar o mais adequado.
Um envolve a ida ao centro cirúrgico. A medula é retirada do interior dos ossos da bacia através de pequenas aberturas, chamadas de punções. A recuperação leva cerca de uma semana. O outro método é a aférese, em que o doador toma um medicamento e a retirada é feita pelas veias do braço.
Como a medula é um tecido que se autorregenera, em poucas semanas ela vai estar recuperada e em pleno funcionamento. Segundo o Inca, o doador pode ter sintomas de dor local, fraqueza temporária e dores de cabeça, após o procedimento.
O transplante de medula óssea é fundamental para a recuperação de pessoas com câncer e outras doenças de sangue. Por isso, se você preenche os requisitos para ser doador, registre-se no hemocentro! Quem já é, confira se os dados estão atualizados.
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