Conheça os 4 tipos de hanseníase e como tratá-los
13/01/2023
A hanseníase, antigamente conhecida como lepra (termo que entrou em desuso por conta de sua conotação preconceituosa), é uma doença bacteriana infectocontagiosa. É causada pelo Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, e sua transmissão se dá pelo contato prolongado com secreções de pacientes não tratados.
A doença tem algumas classificações. Os tipos de hanseníase, a título de tratamento, são divididos em paucibacilares e multibacilares. Além disso, podem ser categorizados como hanseníase indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana.
Neste conteúdo, vamos explicar tais classificações e os sintomas de hanseníase predominantes em cada caso. Ao final do texto, você também confere informações sobre prevenção e tratamento da doença. Boa leitura!

Hanseníase paucibacilar e multibacilar
Para o tratamento da hanseníase, os pacientes são divididos entre paucibacilares (que englobam os tipos indeterminada e tuberculoide) e multibacilares, nos casos de dimorfa ou virchowiana. Essa classificação indica não só o potencial de transmissão, como também o período recomendado para o tratamento.
A hanseníase é paucibacilar quando o paciente apresenta poucas lesões e nenhuma, ou quase nenhuma, alteração nos nervos periféricos. Nesse caso, não há risco de transmissão.
A multibacilar configura-se quando há presença de muitas lesões, que podem ser manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou pardas, placas (manchas elevadas), nódulos, inchaços em regiões frias do corpo, entre outros sintomas. Para saber mais sobre o assunto, acesse este conteúdo.
O potencial de transmissão da hanseníase está, justamente, nos tipos multibacilares. Ou seja, apenas as pessoas que apresentam a doença em estágios mais avançados e que não estão em processo de tratamento são capazes de transmiti-la. É por isso que a conscientização sobre a patologia é tão essencial para evitar e interromper sua cadeia de contaminação.

Hanseníase indeterminada (paucibacilar)
De acordo com o Guia prático sobre a hanseníase, do Ministério da Saúde, esta é a classificação para os estágios iniciais da doença. Ou seja, todos os pacientes acometidos pela patologia passarão por essa fase.
A hanseníase indeterminada é caracterizada pela presença de até cinco manchas na pele, mas, normalmente, há somente uma. Os contornos são imprecisos e ela costuma ser mais clara que a pele do paciente, mas pouco perceptível. Nesse caso, não há comprometimento neural (perda ou diminuição da sensibilidade e alteração nas funções motoras em vista das inflamações nos nervos).
Este tipo de hanseníase não é transmissível, mas seu tratamento é indicado para evitar o avanço dos sintomas. O diagnóstico deve ser realizado por um médico e, normalmente, se dá pelo exame clínico. Isso porque a baciloscopia (exame laboratorial) nem sempre identifica a bactéria, quando é paucibacilar.
Hanseníase tuberculoide (paucibacilar)
A hanseníase tuberculoide também apresenta poucas lesões, limitadas a cinco. Nesse caso, as placas (manchas elevadas) podem ser identificadas e, por vezes, há o comprometimento de um nervo. Por esse motivo, há perda da sensibilidade na região da inervação, assim como nas áreas com lesões cutâneas.

Ela também pode se manifestar em crianças de colo, denominando-se hanseníase nodular na infância, de acordo com o guia do Ministério da Saúde.
Assim como a hanseníase indeterminada, a baciloscopia e a biópsia dificilmente identificam a bactéria. Não é necessária a realização dos exames para o diagnóstico da patologia, que é feito somente por um médico especializado, mediante anamnese e avaliação clínica.
Hanseníase dimorfa (multibacilar)
A hanseníase dimorfa é identificada pela presença de inúmeras manchas na pele, que podem ser avermelhadas ou esbranquiçadas, pouco ou bem delimitadas. Outro fator é que, neste quadro, há o comprometimento de dois ou mais nervos.
Observa-se também a redução da transpiração e a perda da sensibilidade e, em casos avançados, o comprometimento das funções motoras nas regiões dos nervos periféricos. Um exemplo conhecido é a “mão de garra”, deformidade causada pela paralisia ulnar, fratura causada pela contusão nas inervações e que causa neuropraxia (bloqueio da condução nervosa).
A baciloscopia é capaz de identificar os bacilos. Contudo, de acordo com o guia do Ministério da Saúde, uma avaliação clínica bem feita é suficiente para diagnosticar esse tipo de hanseníase. Por isso, não deixe de procurar auxílio médico o quanto antes.
Hanseníase virchowiana (multibacilar)
A hanseníase virchowiana é o tipo mais contagioso. Caracteriza-se pela presença de inúmeras lesões na pele, desde manchas (elevadas ou não), até nódulos escuros, duros e assintomáticos, conforme a evolução do quadro. Outros sintomas são pele avermelhada e seca, poros bem dilatados, olhos secos, perda da sensibilidade térmica, tátil e quanto à dor.
Ainda segundo o guia, em estágios avançados, pode comprometer órgãos do sistema reprodutor masculino e rins, causar perda parcial ou total da sobrancelha e dos cílios, câimbras, formigamentos, dores articulares e deformidades nas regiões dos nervos periféricos.

Prevenção
A prevenção da hanseníase ocorre somente pela quebra da cadeia de transmissão. Para isso, é necessário que todos os pacientes acometidos pela doença sejam diagnosticados e iniciem o tratamento o mais rápido possível. Se você possui histórico da patologia na sua família, também é importante ficar atento aos sintomas e, sempre que necessário, procurar ajuda médica.
A vacina contra a tuberculose, a BCG, auxilia na prevenção, uma vez que os agentes causadores de ambas as doenças são similares. Indivíduos imunizados têm probabilidade menor de desenvolver a hanseníase.
Além disso, a disseminação de informações úteis sobre a hanseníase, para acabar com os preconceitos e incentivar pessoas acometidas pela doença a procurarem ajuda, é indispensável. Hoje, ela pode ser tratada e curada, e os pacientes podem viver suas vidas normalmente.
Tratamento
O tratamento da hanseníase é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os pacientes têm direito aos medicamentos. Para casos paucibacilares, os remédios são administrados por um período de até seis meses, enquanto que multibacilares podem precisar tomá-los durante um ano.

Para garantir a eficácia do tratamento, é muito importante realizá-lo até o fim. Os medicamentos são administrados somente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), em doses vigiadas. Ou seja, os pacientes só podem tomá-los mediante a presença de um profissional de saúde.
Um ponto importante é que, após a primeira dose do tratamento, a hanseníase deixa de ser contagiosa. Sendo assim, as pessoas que possuem a doença podem conviver com outros indivíduos. Somente a hanseníase não tratada é transmissível.
Todos os tipos de hanseníase têm cura e quanto antes o tratamento for iniciado, maiores as chances para evitar sequelas permanentes. Disseminar informações verdadeiras sobre a patologia e combater os preconceitos que a rodeiam é indispensável para garantir qualidade de vida e saúde a todos.
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