Terapia de ozônio para câncer: entenda melhor o assunto
Atualizado em: 15/02/2023
A terapia de ozônio, também conhecida como ozonioterapia, tem sido bastante explorada por diferentes profissionais, inclusive, vendida como um tratamento milagroso, de acordo com reportagens.
Porém, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou o tratamento para uma série de procedimentos, apenas para a área de odontologia e estética, até porque não há estudos conclusivos na medicina. Inclusive, a prática é repudiada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Continue a leitura, entenda como funciona a terapia com ozônio e os motivos por não ter sido aprovada como tratamento para diversas doenças!
O que é e para que serve a ozonioterapia?
A ozonioterapia é um tratamento em que o ozônio medicinal (O3) é administrado em certos tipos de situações. Em teoria, auxilia a oxigenar os tecidos, uma vez que é composto por três átomos de oxigênio.
A ozonioterapia propõe que o procedimento ajuda na resposta do sistema imunológico contra infecções. Entretanto, é importante ressaltar que não há recomendação para utilizá-la como tratamento padrão.
Nos casos em que é permitida pela Anvisa, ela pode ser uma alternativa complementar, sem substituir a conduta convencional.
Métodos de aplicação
Pela via respiratória, o ozônio é tóxico ao ser humano. As aplicações realizadas se dão pela insuflação, diretamente na pele ou injeção muscular ou intravenosa.
Há também a auto-hemoterapia, em que o sangue do paciente é retirado, tratado com a substância e reaplicado na corrente sanguínea.

Qual é a indicação da Anvisa sobre a terapia de ozônio?
Em nota técnica publicada em junho de 2022, a Anvisa esclarece quais são as indicações da ozonioterapia. São duas as áreas com permissão: odontologia e estética.
Nos consultórios odontológicos, os profissionais podem usar a terapia em tratamento de cárie, quadros inflamatórios ou infecciosos, redução de microrganismos em procedimentos de canais, assim como reparação de tecidos em cirurgias.
Já no campo da estética, o ozônio pode auxiliar na limpeza e assepsia da pele. No Brasil, não há permissão para realização da ozonioterapia sem que seja para esses casos.

Ozonioterapia e câncer
Muitas clínicas, em todo Brasil, estariam vendendo a terapia como milagrosa, capaz de curar uma série de doenças, até mesmo o câncer.
Porém, a ozonioterapia para câncer não tem fundamentação científica. Não há evidências que o tratamento possa prevenir e, nem mesmo, auxiliar na diminuição de tumores.
Inclusive, em pacientes que realizam quimio e radioterapia, a prática não é recomendada, pois os efeitos colaterais podem ser prejudiciais ao organismo, uma vez que o sistema imunológico encontra-se fragilizado.
O que diz o CFM sobre a terapia com ozônio?
O Conselho Federal de Medicina informa que a terapia não tem reconhecimento científico para tratar nenhuma doença.
A resolução nº 2.181/2018 esclarece que a terapia é uma prática experimental. Os protocolos clínicos só podem ser realizados com fins para estudo científico, cadastrados e sob as normas do sistema CEP/Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa/Comitês de Ética em Pesquisa).
Vale ressaltar que durante a pandemia de covid-19 houve aplicação de ozônio em pacientes de maneira irregular. Isso levou o CFM a esclarecer novamente que a técnica não é indicada para a doença.
Quais os riscos do tratamento de ozonioterapia?
Além da terapia não ser comprovada cientificamente, ela pode oferecer riscos à saúde do paciente, tais como:
- Irritação e lesões no pulmão, já que ozônio é um poluente e não deve ser inalado, além da piora de doenças respiratórias.
- Cólicas e gases (insuflação).
- Infecção generalizada, via auto-hemoterapia.

Quem corre riscos com o tratamento com ozônio?
Além de apresentar riscos aos casos citados anteriormente, ela é contraindicada para:
- Grávidas e lactantes
- Crianças
- Cardíacos
- Pessoas com hipotiroidismo
- Idosos
- Pessoas com problemas respiratórios
Assim, vale a reflexão sobre o uso ou não da ozonioterapia, principalmente em pacientes com câncer. A terapia não é comprovada cientificamente e, no Brasil, só pode ser aplicada clinicamente em estudos, além de áreas fora da medicina.
Apesar de ser tratada como complementar, não existem evidências científicas de que não interfira no tratamento convencional. A terapia com ozônio pode ser nociva em certos casos, por isso é considerada experimental.
Aos que se interessam sobre o tema, vale acompanhar as novas descobertas da medicina e os testes feitos com parâmetros acadêmicos rígidos. Quanto mais estudos forem realizados na área, maior a certeza sobre o uso ou não do tratamento, a depender de cada caso.
Até uma comprovação de fato, é importante seguir as recomendações médicas padrões como terapia às doenças, principalmente com relação ao câncer.
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