Síndrome do X frágil: características e como identificar
10/08/2022
A síndrome do X frágil é uma condição genética hereditária e uma das causas mais comuns de déficit intelectual. Atinge mais homens do que mulheres e afeta também a fala e o comportamento, estando, muitas vezes, associada ao autismo.
Descubra, neste artigo, o que é esta mutação genética, como reconhecer e onde buscar ajuda!
O que é síndrome do X frágil?
A síndrome é causada por mutação no gene FMR1 (Fragile X Mental Retardation 1) no cromossomo X. Essa anormalidade inibe ou diminui a produção da proteína FMRP (Fragile X Mental Retardation Protein), que é fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso e das funções cerebrais.
Por ser ligada ao cromossomo X, se um dos pais for portador da pré-mutação, a criança já recebe o gene com a anomalia.
A incidência da síndrome do X frágil é maior em pessoas do gênero masculino. Estudos mostram que essa condição afeta 1 em cada 4 mil homens, e 1 em cada 8 mil mulheres, em média. Isso acontece porque o gênero feminino tem dois cromossomos X, o que acaba gerando certa “proteção”. Além disso, mulheres com a síndrome nem sempre apresentam sintomas clínicos.
Já os homens têm um cromossomo X (herdado da mãe) e um Y (herdado do pai). Se o X estiver danificado, o outro cromossomo, que é o Y, não consegue compensar a alteração, por isso os sintomas se manifestam.

Como se manifesta?
A síndrome do X frágil é considerada a segunda causa hereditária mais comum de deficiência intelectual — a primeira é a síndrome de Down —, mesmo assim ainda é uma doença pouco conhecida.
Existe grande dificuldade em se chegar ao diagnóstico, pois a síndrome do X frágil tem características bastante variadas. Os sintomas podem surgir em intensidades diferentes conforme a idade do paciente, o gênero e o grau da mutação, e podem se manifestar de forma física, cognitiva e comportamental.

As características da síndrome em pessoas do sexo masculino estão descritas abaixo:
- comprometimento intelectual leve a moderado
- atraso na fala
- ecolalia (repetição de frases e palavras que ouve)
- hiperatividade
- angústia e desconforto diante de situações novas
- baixa tolerância à frustração
- impulsividade
- dificuldade de socialização
- dificuldade em fazer contato físico e visual
Em alguns garotos, traços de autismo são mais perceptíveis, entre os quais a imitação de gestos e a dificuldade de se relacionar com outras pessoas e de manter contato físico e visual.
Como características físicas, podemos citar orelhas grandes e de abano, rosto alongado, queixo proeminente e céu da boca alto e arqueado. Na adolescência, os meninos podem ter macro-orquidismo, que é o aumento anormal dos testículos.
Em meninas com sintomas clínicos, a síndrome do X frágil pode ter manifestações mais comportamentais, tais como:
- timidez excessiva
- dificuldade em socializar
- ansiedade
- impulsividade
- medos injustificados
- dificuldade emocional
- baixa autoestima
- dificuldades cognitivas leves
- alteração na aprendizagem, principalmente em matemática
Também podem ser observados problemas de fertilidade, menopausa precoce (por volta dos 30 anos) e cardiopatia, como prolapso da válvula mitral.
Em ambos os gêneros, é possível que haja perda da coordenação motora e tremores com o passar da idade.
- existência de deficiência intelectual na família sem diagnóstico
- dificuldade de aprendizado
- déficit de atenção
- atraso para engatinhar ou andar
- atraso para começar a falar
- comportamento de imitações
- dificuldade em manter o olhar ao conversar
- hábito de morder as mãos e se machucar
- mania de agitar as mãos

Como é o diagnóstico da síndrome do X frágil?
Somente a análise de DNA é capaz de detectar a mutação completa no gene FMR1. Avaliações clínicas com base nos sintomas comportamentais da síndrome não são suficientes para se chegar a um diagnóstico, até porque sinais parecidos são observados, também, em outras condições, como autismo e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade).
Existem duas técnicas de diagnóstico: PCR e Southern Blot. A análise molecular para a síndrome do X frágil está incluída no rol de procedimentos da ANS e, portanto, é garantida para pacientes com planos de saúde. Há também clínicas particulares que cobram pelo teste.
O SUS não disponibiliza o exame, mas existem entidades que subsidiam parte do valor ou custeiam integralmente o teste.
Qual a prevenção e o tratamento?
A prevenção se aplica a pessoas com histórico familiar de deficiência mental de causa desconhecida. Elas devem ser testadas para descobrir se têm a mutação genética.
Caso o resultado do exame seja positivo, é recomendado que procurem um médico para evitar a transmissão do transtorno para os filhos.
O tratamento da síndrome do X frágil não é direcionado à cura, mas, sim, à melhora da qualidade de vida do paciente e da família. Alguns sintomas intensos (ansiedade e depressão) podem ser amenizados com medicamentos. Pode ser necessário acompanhamento pedagógico e psicológico para problemas com desempenho escolar. Fonoaudiologia é uma opção quando há alteração na fala, além de terapia ocupacional.
Esperamos que este conteúdo tenha ajudado a compreender as características da síndrome do X frágil. Atente-se que o diagnóstico correto é o melhor caminho para um tratamento eficiente que resultará em mais qualidade de vida ao paciente.
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