Entenda o que é comunicação não-violenta e saiba como aderir
30/12/2022
Método criado pelo psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg, a Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma abordagem que visa a promoção de relacionamentos e trocas mais sinceras, empáticas e respeitosas. Livrar-se dos julgamentos, críticas e rótulos tradicionais, além de promover a escuta ativa são apenas duas das bases essenciais para que a CNV seja bem-sucedida.
Sua denominação tem como referência as resistências não-violentas promovidas por dois grandes nomes históricos, Martin Luther King e Gandhi. Quer saber mais sobre o que é CNV e descobrir como aplicá-la em seus relacionamentos? Continue a leitura!

O que é comunicação não-violenta
A Comunicação Não-Violenta, também conhecida por comunicação empática, é um método que tem por objetivo promover trocas mais pacíficas, criando espaços em que a resolução de conflitos acontece de forma respeitosa e colaborativa.
A técnica é muito mais do que uma receita de bolo para aprender e decorar. Trata-se de um conhecimento prático que permite o desenvolvimento de ferramentas de comunicação e linguagem. Com ela, as pessoas se tornam mais capazes de entender seus sentimentos e necessidades, assim como os dos outros indivíduos com quem se relacionam.
De acordo com Rosenberg, nós somos condicionados ao longo da vida a reagir e responder de forma agressiva e pouco empática, colocando nossos julgamentos e rótulos frente às situações. Em outras palavras, aprendemos um senso de autodefesa que nos afasta dos demais, gerando os conflitos e problemas que observamos em nosso dia a dia.
Esse movimento e a maneira automática como nos comunicamos é descrita pelo psicólogo como linguagem alienante da vida, que seriam os padrões que nos afastam da compaixão e da proximidade entre os indivíduos.

Para que sejamos capazes de sair desse modus operandi, o psicólogo elenca quatro pilares para orientar diálogos, conhecidos como componentes da Comunicação Não-Violenta.
Componentes da comunicação não-violenta
Os componentes da Comunicação Não-Violenta são as bases para estabelecer um diálogo que, além de claro e sincero, leva em consideração os sentimentos e necessidades de cada indivíduo de determinada relação. São eles: observação, sentimento, necessidades e pedido.
Observação
O propósito da observação na CNV é criar uma percepção factual de determinado acontecimento. Em outras palavras, descrever uma situação com base na realidade dos fatos. Para isso, é necessário entender e separar os julgamentos pessoais frente ao ocorrido.
A observação é importante para a CNV porque, ao invés de acusar uma pessoa por algo que aconteceu, você coloca em discussão um fato que pode ser lido de forma igual ou similar por todos os envolvidos.
Se em uma discussão normal você está habituado a dizer coisas como “Sua cama não vai se arrumar sozinha”, experimente apresentar o ocorrido de forma mais clara. Mantenha a sinceridade e a observação como parâmetro, dizendo “Chegamos em casa e reparei que os lençóis estavam bagunçados.”

Sentimento
Enquanto que a observação consiste em explicar um ocorrido sem as lentes dos julgamentos e críticas, o sentimento é o momento para descrever quais sensações esse acontecimento causou em você.
Em qualquer tipo de relacionamento, dizer o que você sente é importante. Para a CNV, o sentimento é um componente essencial porque ele mostra a vulnerabilidade de cada um, aproximando as pessoas umas das outras por aquilo que nos torna mais humanos.
Seguindo o mesmo exemplo do tópico anterior, pode ser que o fato da cama não estar arrumada cause em você o sentimento de frustração e desagrado, porque a organização e o cumprimento de acordos é algo importante em sua vida. Partindo desse pressuposto, você poderia complementar o diálogo em linhas como “Chegamos em casa e reparei que os lençóis estavam bagunçados. Isso me deixou triste e frustrado.”
De acordo com Rosenberg, existe uma dificuldade generalizada para descrever como nos sentimos frente aos acontecimentos. Isso acontece porque fomos ensinados a categorizar nossos sentimentos entre bons ou ruins e, muitas vezes, reprimi-los pelo receio do julgamento.
Para ultrapassar essa barreira, o psicólogo explica que precisamos observar não só o contexto externo, mas a nós mesmos. Além disso, a técnica CNV conta com uma lista de sentimentos para ajudar a compreendê-los e diferenciá-los. Você pode acessá-la preenchendo o formulário neste link.
Ele explica, ainda, que o julgamento de valor não é um caminho interessante para resolução de conflitos, porque todo e qualquer sentimento é um “mensageiro de necessidades”.

Necessidades
Como mencionado, as necessidades surgem a partir dos nossos sentimentos e elas motivam nossas ações. Ou seja, da mesma forma que todas as pessoas têm sentimentos, elas também têm necessidades específicas.
Entendê-las, assim como ouvir as dos outros, permite uma comunicação mais direta e sincera, o que a torna, além de tudo, horizontal e empática. Afinal, fica muito mais fácil resolver um problema quando você sabe não só como o outro se sente com relação àquilo, mas o que ele precisa para aliviar essa sensação.
Aqui, novamente, é importante reforçar que a Comunicação Não-Violenta não é uma ferramenta para você sanar todas as suas necessidades, sem abrir mão de nada. O objetivo é fazer com que os diálogos sejam sinceros e empáticos, facilitando o encontro de uma solução que seja ideal para todos.
Seguindo o exemplo da Comunicação Não-Violenta, podemos colocar a situação da seguinte forma: “Chegamos em casa e reparei que os lençóis estavam bagunçados. Isso me deixou triste e frustrada, porque nós tínhamos um acordo e, para mim, cumprir com nossos combinados é uma necessidade fundamental.”
Pedido
O pedido, como o nome sugere, nada mais é do que a expressão das nossas necessidades por meio de uma solicitação. Para que ele siga o método da CNV, precisa ser claro e específico.
Segundo o psicólogo, não é incomum que as pessoas não peçam o que querem e, além disso, criem expectativas que as outros façam algo porque “eles deveriam saber que eu precisava disso”. Esse movimento é muito prejudicial e costuma causar conflitos.
Ao invés de persistir no comportamento alienante, finalizando o exemplo usado neste conteúdo, uma forma de colocar o pedido de forma clara poderia ser:
“Chegamos em casa e reparei que os lençóis estavam bagunçados (observação). Isso me deixou triste e frustrada (sentimento), porque nós tínhamos um acordo e, para mim, cumprir com nossos combinados é uma necessidade fundamental (necessidade). Você poderia arrumar a sua cama até as 18 horas? E, além disso, nós poderíamos estabelecer um período limite para que a tarefa seja realizada diariamente? (pedido).”

Ao utilizar a Comunicação Não-Violenta, você será capaz de colocar todas as cartas na mesa, deixando suas intenções claras, assim como o seu desejo em resolver quaisquer problemas de forma pacífica e respeitosa.
Para isso, não basta apenas expressar os seus sentimentos e necessidades, mas ouvir e tentar compreender os sentimentos e necessidades dos outros de maneira empática e livre de julgamentos. Para Rosenberg, esse movimento chama-se curiosidade empática.
Importância
A Comunicação Não-Violenta é uma ferramenta importante para que os indivíduos evitem respostas automáticas e repetitivas, que, na maioria das vezes, geram conflitos e discussões que, em um contexto de empatia e clareza, não aconteceriam ou poderiam ser resolvidos de maneira mais tranquila.
Essa técnica, ainda, promove uma conexão maior entre as pessoas, humanizando e validando nossos desejos e queixas.
Como praticar
Como a maioria das coisas na vida, para aprender como se comunicar com a CNV, é preciso praticá-la em diferentes momentos, levando em consideração os componentes mencionados.
Com o tempo, comunicar-se de forma clara, sincera e empática vai ficar mais fácil. Por isso, nas próximas vezes que você estiver conversando com alguém, seja em casa, no trabalho, com amigos, na universidade ou onde quer que esteja, tente sair do automático e utilizar as ferramentas mencionadas nesse conteúdo para promover um diálogo horizontal.
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